Não quero
mais ser assim! Meu Deus, mais uma vez me perdoe! São tantas as orações e suplicas
que sei que cada cristão faz nesse sentindo, pelo menos os que se preze.
Mas não
importa quantas vezes possamos dizer que não faremos mais uma coisa, que
voltamos a cometer ainda pior, ou mesmo com o remoço instantâneo na mente,
tentamos de forma desesperada e sem sucesso esquecer que Deus está ali, do meu
lado, e enquanto a ficha cai, e a culpa consome o ser, pensamos que se
tivéssemos ouvido a primeira voz que muitos chamam de consciência, não teria
nada acontecido.
Antes que
uma sensação terrível nos corroa por dentro, pensemos como é engraçado ser
cristão. Tudo que realmente importa vem de graça até nós. Eu poderia introduzir
neste texto, um breve histórico do dito povo de Deus, mas você já deve ter
ouvido algo a esse respeito, quer seja sobre a criação do mundo e das pessoas,
quer seja sobre o dilúvio, quer seja sobre Abraão, Isaque e Jacó, ou ainda
sobre a escravidão no Egito, sobre Moisés, quem sabe sobre Davi, sobre
Jerusalém, sobre um menino filho de uma virgem. Enfim, algo eu sei que você
sabe, e não é pretensão te ensinar algo, mas levar a reflexão.
Ainda que
seja a minha mesma. Fascinada pelo velho testamento, até porque sem ele é
impossível entender o novo, sempre me apeguei a pequenas coisas que por falta
de compreensão era motivo de discussão com Deus. Quem já se pegou indagando
Deus sobre alguma coisa sabe bem o que é isso, no entanto, minhas indagações
sempre foram a respeito dessas historias absurdas na minha mente, cujo desfeche
não parecia ser justo aos meus olhos.
Somente
de lembrar, me trazem risos. Como alguém/ninguém pode interrogar a Deus por que
quer que seja? Pois bem, tive essa audácia. Não durava muito, mas era o
suficiente para me manter indignada por alguns dias, quer seja com Deus, quer
seja com os personagens. E é aqui que retomo o assunto dessa carta aberta.
Desde
pequena tenho fascinação por história, e minha mãe contribuiu grandemente para
isso. Me lembro bem de estar com 9 anos de idade, e assistindo um filme sobre
os dez mandamentos, deslumbrada ao ver o mar se abrir. E me lembro da impressão
terrível que tive ao ver o povo fazer um bezerro de ouro. Fui tomada de uma
fúria, que me rendeu revolta até algum tempo atrás, ou 11 anos depois.
Me peguei
pensando como aquele povo era burro, não entrava na minha cabeça como alguém
pode ver o mar se abrindo, e logo depois achar que Deus os abandonou. Como isso
era possível? Pensei e repensei, que se fosse eu naquela situação, ainda
que jamais visse Deus se manifestar
daquele jeito, eu continuaria crendo que Ele era capaz, quando bem quisesse, e
que não cabia a mim determinar isso a Ele.
Não
estava totalmente errada, e nem totalmente certa, e como meio errado não é um
certo, vi que tinha que tentar compreender o povo. Foi então que me veio um
súbito mal, ao pensar que eu sou aquele povo. Em poucos instantes minha mente
clareou de uma forma que pude ver quão ruim eu sou e me identificar com o povo
dito de Deus.
Imaginei
que se eu tivesse convivido minha vida como escrava no meio de um povo idólatra,
sabendo que pelo menos umas três gerações minhas já vinham convivendo ali antes
de mim, eu poderia ser influenciada por certas práticas, afinal somos
influenciados sem perceber todos os dias, coisas sutis, mas que vão mudando
nossa mente.
Me imaginei como um
pai de família, que ao ver seus filhos e esposa pedirem água ou alimento, como
me sentiria, talvez isso me levaria ao desespero de suplicar a Moisés por
providências, até porque hoje as igrejas estão cheias de pedintes que precisam
apenas de um Deus provedor, que muitas vezes nem estão tão desesperadas quando
este homem, e eu bem sei que o desespero nos leva a cometer loucuras.
Não estou
justificando nenhuma dessas atitudes, muito menos tirando o peso da culpa
deles, não estou apoiando o bezerro de ouro, apenas me vejo como um deles,
afinal, quantas que quantas vezes não erguemos altares para nossos deuses e
pecados de estimação? É muito mais fácil encontrar o erro no povo do passado
bíblico, já que eles literalmente fizeram a imagem pra si. Mas eles não podem
se defender.
Penso quantas vezes
não ergui um altar para internet, já que dediquei tanto tempo para isso,
quantas vezes não prestei culto a minha preguiça disfarçada de cansaço para não
orar como devia. São tantos os pecados de estimação que a principio não fazem
mal algum, mas que matam a alma com o tempo, que se eu fosse descrever levaria
uma vida, porém sei que cada um sabe de si.
Apenas gostaria que
se alguém chegar a ler isso, tenha em mente que assim como você não é de todo
mal, eles também não deveriam ser, do contrário Deus não os chamaria de “Meu
Povo”, tenha consciência que eram outras épocas, outros costumes e pessoas, mas
a idolatria é a mesma que hoje, apenas deixamos de forma disfarçada e damos
outros nomes aos nossos bezerros, fazendo parecer que somos melhores que eles,
mas não. Não somos, porque conhecemos a sua história e ainda assim não
aprendemos com os erros dos outros, nos mantemos altivos enquanto lemos alguns
capítulos bíblicos, porque pensamos, como um povo que viu o mar se abrir,
coluna de fogo, maná... pode esquecer que Deus está ali?
Pense antes, como eu
que sei que Deus abriu o mar, que o povo errou em se esquecer Dele, como alguém
que sabe disso tudo, e de brinde tem a graça de Deus manifesta em Cristo e tem
Seu Espirito como guia, pode ainda assim se curvar diante do que o mundo te
oferece? Sinceramente eu ainda não sei responder isso, mas espero que assim
como eu mudei de opinião, você possa avaliar com outros olhos, não só este
povo, mas as pessoas ao seu redor que muitas vezes erram e nós nos perguntamos,
como ela pôde fazer isso? Talvez se você refletir um pouco, você entenda, por
fim, somos todos suscetíveis ao erro, a todo tipo de erro sem exceção.
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