quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Carta aberta em defesa do povo de Israel no deserto.

       Não quero mais ser assim! Meu Deus, mais uma vez me perdoe! São tantas as orações e suplicas que sei que cada cristão faz nesse sentindo, pelo menos os que se preze.
          Mas não importa quantas vezes possamos dizer que não faremos mais uma coisa, que voltamos a cometer ainda pior, ou mesmo com o remoço instantâneo na mente, tentamos de forma desesperada e sem sucesso esquecer que Deus está ali, do meu lado, e enquanto a ficha cai, e a culpa consome o ser, pensamos que se tivéssemos ouvido a primeira voz que muitos chamam de consciência, não teria nada acontecido.
         Antes que uma sensação terrível nos corroa por dentro, pensemos como é engraçado ser cristão. Tudo que realmente importa vem de graça até nós. Eu poderia introduzir neste texto, um breve histórico do dito povo de Deus, mas você já deve ter ouvido algo a esse respeito, quer seja sobre a criação do mundo e das pessoas, quer seja sobre o dilúvio, quer seja sobre Abraão, Isaque e Jacó, ou ainda sobre a escravidão no Egito, sobre Moisés, quem sabe sobre Davi, sobre Jerusalém, sobre um menino filho de uma virgem. Enfim, algo eu sei que você sabe, e não é pretensão te ensinar algo, mas levar a reflexão.
      Ainda que seja a minha mesma. Fascinada pelo velho testamento, até porque sem ele é impossível entender o novo, sempre me apeguei a pequenas coisas que por falta de compreensão era motivo de discussão com Deus. Quem já se pegou indagando Deus sobre alguma coisa sabe bem o que é isso, no entanto, minhas indagações sempre foram a respeito dessas historias absurdas na minha mente, cujo desfeche não parecia ser justo aos meus olhos.
Somente de lembrar, me trazem risos. Como alguém/ninguém pode interrogar a Deus por que quer que seja? Pois bem, tive essa audácia. Não durava muito, mas era o suficiente para me manter indignada por alguns dias, quer seja com Deus, quer seja com os personagens. E é aqui que retomo o assunto dessa carta aberta.
      Desde pequena tenho fascinação por história, e minha mãe contribuiu grandemente para isso. Me lembro bem de estar com 9 anos de idade, e assistindo um filme sobre os dez mandamentos, deslumbrada ao ver o mar se abrir. E me lembro da impressão terrível que tive ao ver o povo fazer um bezerro de ouro. Fui tomada de uma fúria, que me rendeu revolta até algum tempo atrás, ou 11 anos depois.
     Me peguei pensando como aquele povo era burro, não entrava na minha cabeça como alguém pode ver o mar se abrindo, e logo depois achar que Deus os abandonou. Como isso era possível? Pensei e repensei, que se fosse eu naquela situação, ainda que  jamais visse Deus se manifestar daquele jeito, eu continuaria crendo que Ele era capaz, quando bem quisesse, e que não cabia a mim determinar isso a Ele.
        Não estava totalmente errada, e nem totalmente certa, e como meio errado não é um certo, vi que tinha que tentar compreender o povo. Foi então que me veio um súbito mal, ao pensar que eu sou aquele povo. Em poucos instantes minha mente clareou de uma forma que pude ver quão ruim eu sou e me identificar com o povo dito de Deus.
        Imaginei que se eu tivesse convivido minha vida como escrava no meio de um povo idólatra, sabendo que pelo menos umas três gerações minhas já vinham convivendo ali antes de mim, eu poderia ser influenciada por certas práticas, afinal somos influenciados sem perceber todos os dias, coisas sutis, mas que vão mudando nossa mente.
         Me imaginei como um pai de família, que ao ver seus filhos e esposa pedirem água ou alimento, como me sentiria, talvez isso me levaria ao desespero de suplicar a Moisés por providências, até porque hoje as igrejas estão cheias de pedintes que precisam apenas de um Deus provedor, que muitas vezes nem estão tão desesperadas quando este homem, e eu bem sei que o desespero nos leva a cometer loucuras.
         Não estou justificando nenhuma dessas atitudes, muito menos tirando o peso da culpa deles, não estou apoiando o bezerro de ouro, apenas me vejo como um deles, afinal, quantas que quantas vezes não erguemos altares para nossos deuses e pecados de estimação? É muito mais fácil encontrar o erro no povo do passado bíblico, já que eles literalmente fizeram a imagem pra si. Mas eles não podem se defender.
      Penso quantas vezes não ergui um altar para internet, já que dediquei tanto tempo para isso, quantas vezes não prestei culto a minha preguiça disfarçada de cansaço para não orar como devia. São tantos os pecados de estimação que a principio não fazem mal algum, mas que matam a alma com o tempo, que se eu fosse descrever levaria uma vida, porém sei que cada um sabe de si.
       Apenas gostaria que se alguém chegar a ler isso, tenha em mente que assim como você não é de todo mal, eles também não deveriam ser, do contrário Deus não os chamaria de “Meu Povo”, tenha consciência que eram outras épocas, outros costumes e pessoas, mas a idolatria é a mesma que hoje, apenas deixamos de forma disfarçada e damos outros nomes aos nossos bezerros, fazendo parecer que somos melhores que eles, mas não. Não somos, porque conhecemos a sua história e ainda assim não aprendemos com os erros dos outros, nos mantemos altivos enquanto lemos alguns capítulos bíblicos, porque pensamos, como um povo que viu o mar se abrir, coluna de fogo, maná... pode esquecer que Deus está ali?

        Pense antes, como eu que sei que Deus abriu o mar, que o povo errou em se esquecer Dele, como alguém que sabe disso tudo, e de brinde tem a graça de Deus manifesta em Cristo e tem Seu Espirito como guia, pode ainda assim se curvar diante do que o mundo te oferece? Sinceramente eu ainda não sei responder isso, mas espero que assim como eu mudei de opinião, você possa avaliar com outros olhos, não só este povo, mas as pessoas ao seu redor que muitas vezes erram e nós nos perguntamos, como ela pôde fazer isso? Talvez se você refletir um pouco, você entenda, por fim, somos todos suscetíveis ao erro, a todo tipo de erro sem exceção.

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